quarta-feira, 13 de março de 2013

Desapego




Eu jurei que minha alma ia ser dura.
Tantas vezes imaginei-me sendo fria.
Ai de mim, que não houvesse mais tortura!
Ai de mim, que acabasse essa agonia!

Tantas vezes vi meus sonhos decapitados.
Tantas vezes acabei caindo ao chão.
Sentimentos que ficaram estilhaçados,
Como o vidro da janela de um porão.

Eu corri até os joelhos irem por terra
E gritei até a voz não mais sair.
Eu berrei e o meu peito ainda berra
De raiva do mundo, de raiva de tudo, de raiva de ti!

Eu jurei que minha alma ia ser dura.
Ainda juro, é meu anseio conseguir.
Se o teu peito desconhece o que é ternura,
Só me resta abandonar-te e seguir.

Olha só, eu que te tinha unido a mim
Como o sangue que irrigava cada veia.
Agora, eu simplesmente te deixo seguir,
Escorrendo pelos meus dedos como tolos grãos de areia.

Andressa Bitencourt

Um comentário:

  1. ANDRESSA,
    teu poema é composto de estrofes regulares, com 4 versos rimados entre si, mais ou menos isossilábicos (com o mesmo número de sílabas poéticas).
    O ritmo é conseguido com o jogo de sílabas átonas e tônicas. Em princípio, todos os versos devem
    ter dez sílabas, como o 1º e o 4º versos da primeira estrofe.
    EU-JU-REI-QUE-MI-NHAL-MAI-A-SER-DU(-RA)
    A contagem é feita até a última sílaba tônica, "du". O segundo verso, todavia, conta com 12 sílabas, quebrando o ritmo:
    TAN-TAS-VE-ZES-I-MA-GI-NEI-ME-SEN-DO-FRI(-A).
    O terceiro verso tem uma medida de 11 sílabas:
    AI-DE-MIM-QUE-NÃO-HOU-VE-SSE-MAIS-TOR-TU(-RA).
    O último está perfeito, com tonicidade na 6ª sílaba (-ba) e na 10ª (-ni):
    AI-DE-MIM-QUEA-CA-BA-SSEE-SSAA-GO-NI(-A).
    Espero que compreendas este meu comentário.
    Abç

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