quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sofhie: a história da viralata de 3 patas!

Era final de maio de 2010, fazia um mês que eu havia começado a trabalhar e um colega meu propôs que fôssemos conhecer a Usina de Triagem, Compostagem e Aterros de Rejeitos de Santiago (UTCAR), o famoso lixão. Já havia conhecido o local, mas fazia uns dez anos que não o visitava.
Quando chegamos comecei a caminhar por entre os materiais que já haviam sido triados e estavam sendo encaminhados para a reciclagem. Lembro que fiquei encantada com o trabalho da Cooperativa que lá trabalhava. Também notei que haviam muitos cachorros no local, alguns que haviam sido abandonados mas que eram cuidados pelo pessoal que lá trabalhava. Então avistei três filhotinhos, uma cadela havia reproduzido e eles pareciam muito saudáveis.
Foi aí que meu colega apareceu e disse que eram 4 e não 3 e que eu precisava ver uma coisa. Ele apontou para uma caixinha de papelão muito pequena e chamou alguem. Então vi que alguma coisa se mexia mas não saía de jeito nenhum de dentro da caixa. Fui até lá e vi uma cena que talvez nunca esquecerei. Era o 4º filhotinho, uma menina, com metade do tamanho dos outros três, mas não foi exatamente isso que me surpreendeu.
Tinha olhos verdes da cor dos meus, cor avermelhada quase vinagre e três patas. Sim, logo que nasceu Sofhie ficou com sangue no corpo e teve uma de suas pernas dianteiras comida por uma Ratazana, estas que comem o lixo. Quando chegaram pela manhã, os trabalhadores viram e conseguiram estancar e cicatrizar o ferimento. Fiquei imaginando a dor que aquele animalzinho havia sentido enquanto eu olhava naqueles olhos que pareciam ter medo de tudo, e realmente tinham, pois estava abaixo do peso porque os outros cachorros não a deixavam comer.
Então a soltei na caixa e ela escondeu-se rapidamente. Pegamos o carro e voltamos embora. Durante a viagem não conseguia pensar em outra coisa. Eu sabia que ela ia acabar morrendo pois não comia e meu coração ia apertando cada vez mais por saber disto. Estourou quando meu colega me disse que iriam adotar os outros filhotes e somente ela ficaria lá.
Pensei alguns segundos, não muito e resolvi tomar uma atitude. Disse que ele poderia trazê-la para mim no serviço que eu a levaria para casa e cuidaria dela, assim ele fez, então a levei em uma caixinha para casa e ela fugia toda hora de mim.  A escondi em meu quarto, precisava conversar com o pessoal em casa antes, pois minha mãe dizia que já tínhamos bichos demais.
Realmente tínhamos, mas se a deixasse lá iria me arrepender pelo resto da vida e eu não convivo bem com o peso da culpa. Durante a conversa com meus pais eu não consegui segurar o choro, mas quando à mostrei minha mãe comoveu-se mais que eu.

Por fim resolvemos ficar com a garota e à chamamos de Sofhie. Dei-lhe um banho bem dado e a coloquei em uma caixa maior. Com o tempo ela criou confiança em mim e demonstrou ser muito carinhosa com os outros bichos, principalmente com os gatos. Ela ainda sente-se ameaçada quando vê outros cachorros, mas hoje é grande, independente e corre perfeitamente.

 Às veses meu pai diz que ela seria um terror se tivesse quatro patas, porque mesmo tendo apenas três ela apronta pra caramba.


Por Andressa Bitencourt
Santiago RS

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