quarta-feira, 14 de março de 2012

Meu nome é Johnny!

Meu nome é Marcos e minha esposa chama-se Daniele. Antes de começar a contar a história do cãozinho Johnny posso afirmar que foi o amor aos animais, principalmente aos mais necessitados, aqueles que muitas vezes causam até nojo nas pessoas, que nos uniu; com certeza se um de nós não gostasse dos animais não estaríamos juntos hoje.
2 semanas com a gente, 4,5 Kg, muito magro, mas vacinado e sem pulgas
Há sete meses atrás estávamos voltando do shopping, de carro, na praia de Botafogo, quando a Dani viu um cachorro passar em frente ao carro, no meio do trânsito, desesperado, sem rumo, prestes a ser atropelado. Ficamos olhando o cachorro atravessar toda a pista e ser pego por um guardador de carros. Agindo apenas por impulso, retornamos, estacionamos o carro e fomos falar com o guardador. Este, já havia colocado o cachorro dentro do seu carro velho. Perguntamos a ele o que ele iria fazer com o animal e ele nos respondeu: “um colega meu viu quando ele foi jogado da moto na pista e se ninguém aparecer eu vou levá-lo para Suipa, pois moro lá perto”.

Agindo por impulso novamente e por amar os animais pegamos o cachorro e levamos para casa. Combinamos que iríamos prestar os primeiros cuidados a ele e depois tentar doá-lo para alguém que gosta de cães, pois temos quatro gatos, todos adotados da rua e moramos em um apartamento. O pequeno cãozinho estava em condições deploráveis! Ele provavelmente tinha um dono que o maltratava, pois tinha uma coleira velha em seu pescoço; estava lotado de pulgas, era pele e osso, pesando quatro quilos (ele é um cão mestiço, do tamanho de um poodle).
Aí termina a primeira parte da história! A segunda foi muito pior!
Colocamos o nome do cãozinho de Johnny, por causa do filme “Meu nome não é Johnny”, pois o nome dele com certeza era outro. À medida que o tempo passou e ele foi ficando mais forte, que os problemas começaram. Johnny era extremamente agressivo, principalmente comigo, inquieto, desconfiado de tudo! Para se ter idéia, ele tinha o comportamento de ficar olhando para as minhas mãos e rosnava, prestes a atacar! Imagine por que? Acho que não preciso falar… Ele gemia dia e noite, não de dor, mas de nervosismo, andava o tempo todo para um lado e outro da casa, urinava tudo, queria me atacar o tempo todo. Sabíamos que muito do seu comportamento vinha da sua personalidade forte, mas muita coisa era fruto da sua vida passada.
agressivo, desconfiado, se recuperando...
Tentamos conseguir adoções, mas ninguém queria ficar com ele; chegamos a colocá-lo na casa do vizinho do meu sogro e pagávamos por isso! Mas não deu certo porque ele sentia muita falta da gente e não era bem tratado. Um dia encontrei um rapaz que foi meu aluno e depois de uma breve conversa consegui doá-lo. Sabia que o rapaz tinha pais com muito dinheiro, mas cometi, talvez por desespero (era impossível manter o Johnny no apartamento, com os gatos), o erro de não falar com os pais dele!

Nesse ponto começa a terceira parte da história, a do medo e do desespero.
Depois que doei o Johnny para o meu ex-aluno, a minha consciência não parava de me incomodar; alguma coisa não estava certa. Logo no outro dia fomos no prédio do rapaz e interfonamos para ele, queríamos ver se o Johnny estava bem. A sua avó então atendeu e disse que o pai do garoto não quis o cachorro e tinha mandado o porteiro deixá-lo num abrigo. Eu perguntei: que abrigo? Ela respondeu: a Suipa. Ficamos desesperados, pois sabemos o que é a Suipa. Conversamos com o porteiro e a pedido da própria avó do rapaz ele nos levou até lá!
No caminho eu falava pra minha esposa que se não conseguisse resgatá-lo daquele lugar não iria me perdoar nunca. Quando chegamos lá, logo de cara ficamos horrorizados com a condição daqueles animais. Resumindo essa parte, posso dizer que se chegasse lá um dia depois eu não veria mais o Johnny, pois ele iria para o que eles chamam de “abrigo” e uma vez lá não dá mais pra pegar o cachorro. Para se ter uma idéia, quando o funcionário trouxe o Johnny, ele estava todo molhado, todo sujo, cheirando a lixo, um cheiro tão forte que mal dava pra ficar perto dele (e ele não chegou a ficar 24 horas lá!).
Levamos ele pra casa, já era noite e ele dormiu assim mesmo, com cheiro de “chorume”. No outro dia o levamos para o Pet shop, demos banho etc. Mas ele adoeceu logo em seguida, não comia, tinha diarréias. Medicamos ele e aos poucos o Johnny foi se recuperando. Decidimos então que não iríamos mais tentar adoção, que ficaríamos com o Johnny, mesmo sendo terrível ficar com ele.
Primeiro Natal com a gente!
Nesse momento começa a última parte da nossa história, a do amor, paciência, responsabilidade e retribuição.

A primeira coisa que fizemos foi castrá-lo, pois ele urinava tudo e era extremamente agressivo (as vacinas nós já havíamos dado logo que pegamos ele). Ele se recuperou logo, parou de urinar tudo, mas continuou agressivo, mas também foi percebendo que só recebia carinho da gente. O tempo passou… muito carinho, passeios, brincadeiras, conforto e comida gostosa …. Achamos que ele foi vendo, ao seu modo, que só recebia coisas boas! Que nem tudo que vem das pessoas é agressão, vassourada, chutes etc. Vimos em livros que os cães vivem somente o presente, mas não concordamos! Por que ele rosna e olha para as nossas mãos? Por que ele ficava nervoso quando ouvia barulho de moto? Por que não podíamos tocar nas patas dele? Nem na sua barriga? Faz sete meses que o Johnny está conosco! Ele ainda guarda um pouco de agressão e desconfiança, mas a cada dia vai desaparecendo.
Hoje, ele é outro cão, amigo, protetor, muito carinhoso, brincalhão, feliz! E nos retribui tudo com muito amor, tanto amor que às vezes até cansa! Principalmente com a Dani, que ele escolheu pra ser a dona dele (acho que ele ainda tem um pouco de desconfiança com os homens). Hoje, podemos tocá-lo, abraçá-lo, ele olha menos para as nossas mãos, rosna menos, já deita com a barriga pra cima, já convive melhor com os gatos.
Com a Dani. Janeiro de 2010
O Johnny agora é um dos nossos filhos, nem nos passa pela cabeça em doá-lo! A cada dia ele nos enche de carinhos, do jeito dele. Com o tempo vimos que só com amor poderíamos tornar o Johnny um cachorro no qual pudéssemos conviver.

Muitas vezes nos perguntamos por que comprar animais? Só porque são de raça? Existem centenas, milhares de “Johnnys” por aí abandonados, que precisam de um lar, de uma família.  O animal abandonado, que é adotado e tratado com amor nos retribui tudo de uma forma que não dá pra explicar, só passando por isso para saber
7 meses com a gente, pesando 10 kg, muito carinhoso e brincalhao!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Se gostou do que leu, deixe seu comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...